Vendeste um dia. O cliente recebeu a fatura de um dia — e o dia durou oito horas. O trabalho, esse, levou trinta e cinco. A seleção a um domingo, os emails respondidos à noite, a reunião que começou com um café e acabou duas horas depois, o backup que só tu sabes que existe.
A diferença entre o dia que vendeste e o trabalho que entregaste é o tema deste artigo. Não é sobre cobrar mais por cobrar. É sobre deixar de fazer horas que não aparecem no preço.
O que vendes não é o que entregas
O cliente compra “um dia de fotografia”. E tu entregas um projeto de semanas: a consulta, a visita ao local, o planeamento, o dia, a seleção, a edição, a entrega. O dia é a parte mais visível — e a mais pequena.
A calculadora CODB resume isto num número: parte de oito horas de fotografia no dia e chega a trinta e cinco horas de trabalho total, por defeito. A própria ferramenta avisa: um dia de casamento de oito horas representa trinta a cinquenta horas de trabalho completo.
O dia é um quinto do trabalho. A fatura mostra o dia.
O inventário das horas que não facturas
Vamos ao pormenor, porque é no pormenor que as horas se escondem. São os valores que a calculadora traz por defeito — ajusta-os aos teus.
Seleção — seis horas
Oitocentas fotos no cartão, quatrocentas na galeria. Escolher não é apagar o que está mal — é decidir o que fica, e essa decisão cansa como qualquer trabalho. O cliente nunca a vê.
Edição e pós-produção — dez horas
Cor, retoque, consistência entre fotografias. É aqui que o teu nome se define, e é a maior fatia das horas invisíveis.
Deslocações — quatro horas
Ida e volta ao local. O carro não trabalha por ti: são horas em que não podes fazer mais nada, e não aparecem em lado nenhum da fatura.
Reuniões e comunicação — quatro horas
A consulta inicial, a visita ao local, os emails de planeamento, as respostas que devolvem o controlo ao casal. A comunicação é trabalho — e dos que mais tempo come.
Backups — as horas que não podem falhar
Importar os cartões, copiar para dois sítios, verificar que tudo abriu. Ninguém te paga por isto, e é a única hora invisível que, se falhar, obriga a devolver tudo. Proteger o trabalho é parte do trabalho.
Admin e entregas — três horas
Contratos, faturas, a galeria montada, o link enviado, as perguntas respondidas. A parte sem brilho do ofício — e a primeira a ser esquecida quando se calcula um preço.
A matemática que a fatura não mostra
Com os valores por defeito da calculadora, a conta é simples. Trinta e cinco horas por trabalho, vinte trabalhos por ano, cinquenta mil euros de faturação.
Vinte trabalhos vezes trinta e cinco horas são setecentas horas por ano. Cinquenta mil euros a dividir por setecentas horas dão cerca de setenta e um euros por hora. Antes de impostos. Antes de equipamento. Antes de marketing.
E a calculadora vai mais longe. Dessas trinta e cinco horas, dezoito pagam custos. Só dezassete geram lucro real. O preço que parecia justo por dia revela, hora a hora, um número muito mais sóbrio.
Porque é que elas têm de entrar no preço
Cada hora invisível é trabalho que entregas sem cobrar. Não é eficiência — é subsídio. O cliente não pediu um desconto: pediu um preço, e o preço que não cobre o trabalho completo é um desconto que não pediste.
Se o preço não paga as trinta e cinco horas, a diferença sai de algum lado. Sai do teu salário, sai dos teus dias de descanso, sai da tua vontade de continuar na época alta. Não há terceira opção.
Cobrar o trabalho completo não é ganância. É o preço do trabalho completo. E o mercado aguenta mais do que pensas quando o valor é claro — porque quem te contrata não está a comprar horas. Está a comprar a garantia de que o dia existe em imagens, daqui a um ano e daqui a vinte.
Como fazer as horas entrarem no preço
Três passos, sem mágica.
- Mede. Quatro semanas de registo honesto: o que fizeste, a que horas, durante quanto tempo. O artigo sobre o CODB explica o método completo — a fórmula, os custos esquecidos e o exemplo até ao cêntimo.
- Calcula. A calculadora CODB soma as horas todas — não só o dia. Dá-te o custo total por trabalho, o preço mínimo por hora e o que sobra de facto para ti.
- Precifica pelas horas totais. O preço mínimo por hora que a calculadora devolve é o chão. Multiplicado pelas horas totais do trabalho, dá-te o mínimo por casamento. Não é o teto — é o sítio onde o teu preço devia, pelo menos, estar.
Vê as tuas horas todas — não só o dia. A Calculadora CODB gratuita soma o teu tempo, os teus custos e a tua faturação, e diz-te o preço mínimo por hora. Sem registo.
Abrir a Calculadora CODBÚltimas palavras
O casal não te paga pelo dia. Paga pela garantia de que o dia existe em imagens — e as horas invisíveis são o preço dessa garantia. Um preço que não as conta é um preço que pede a alguém — a ti — para pagar o resto.
Da próxima vez que montares um preço, conta-as. Todas.
Lê a seguir: Como Calcular o CODB Real de um Fotógrafo de Casamento para a fórmula completa, O Salário Real por Hora de um Fotógrafo de Casamento para o que sobra depois das contas, e Vender Álbuns sem Culpa para a outra metade da história — a oferta que completa a entrega.